segunda-feira, 30 de junho de 2008

N' don't tell me about love n' peace (8)

Aproveitemos o blog para falar sobre um assunto que creio ser comum à imensa maioria dos que visitam isso aqui e, por isso, muito provavelmente será útil. Nós, que vivemos na "época da internet", estamos acostumados a ouvir pessoas mais velhas (especialmente familiares) reclamarem incansavelmente de nosso "grau de exposição" via orkuts, fotologs e outras modernidades. Um grupo especial dentre os jovens, aquele que ouve Blues, Rock N' Roll e outros estilos menos estimulados pela mídia, se vestem de maneira diferente do usual, tem cabelos compridos e/ou tingidos (ou ao menos quem anda com esse grupo), sofre questionamentos sobre a forma com que levam a vida.

São dois pontos, portanto: um sobre os jovens em geral, "expostos" ao perigo com suas fotos e preferências vagando pela internet; outro, sobre os freqüentadores do chamado "meio underground", que "levam uma vida contrária aos bons costumes, freqüentam ambientes pesados e têm péssimas companhias". Os integrantes desse segundo grupo, ou seja, a maioria dos que lêem isso aqui, ouve críticas sobre os dois pontos.

Primeiramente, faz-se necessário afirmar que as pessoas mais esclarecidas estão no "meio underground" apenas por afinidade, principalmente musical, e não porque são jovens que querem parecer muito originais e andar à margem do que prega a mídia. Não existe originalidade em se vestir "diferente" como outros milhões de jovens que se vestem da mesma forma e se julgam igualmente originais, nem em se vestir com roupas que podem não ser de marcas famosas, mas continuam sendo "de marca", feitas por pessoas que, da mesma forma, pretendem manipular os hábitos de um grupo específico e lucrar com isso. O jovem, naturalmente, escolhe o grupo a qual quer pertencer, porque o que há são grupos a serem escolhidos, e é inevitável se enquadrar em um: a burrice está em se enquadrar num grupo querendo ser o membro-modelo, que faz tudo o que caracteriza o conjunto, inclusive a parte ruim. É preciso também dizer que um meio menor e mais restrito como o de muitos aqui não é, por isso, pior: praticamente todos os vícios contidos no meio são comuns ao meio jovem como um todo, mas a falta de conhecimento por parte de quem está "de fora" gera preconceitos que sempre tendem a julgar o grupo o pior possível. Analisemos alguns pontos importantes:

1 – Andar com gente que se veste de forma "estranha" e tem cabelo comprido/colorido/moicano pressupõe um problema? Aparência não indica personalidade, definitivamente. Pode-se julgar a pessoa como "curiosa", no máximo, mas duvidar de sua índole por isso é incoerente. Ora, legais mesmo são os playboys fortes e bronzeados de bairro nobre que estão constantemente em conflito com o "grupo rival", que acham engraçado espancar uma emprega doméstica porque "confundiram com uma prostituta" e que socializam com os traficantes do morro porque isso "dá muita moral", certo? Pois bem, se aparência indicasse um problema, os que se vestem como "pessoas normais" teriam todos ótimo caráter.

2 – O meio "underground" é infestado por drogas e álcool? Ou seria o meio jovem que é? Dizer que os jovens que usam nike shox e boné virado para trás não bebem ou não se drogam chega a ser ridículo, afinal, choppadas, boates e festas não têm nada de underground. Acusar um grupo pelo vício de toda uma geração me soa totalmente sem sentido. Não beber e não se drogar demais cabe a cada um, em QUALQUER meio, e andar com quem se veste "na moda" está longe de significar afastamento desses vícios: muitas vezes até aproxima.

3 – Ir a shows e baladas Rock N' Roll é ir a ambientes desaconselháveis? Acham mesmo que show bom é aquele de bandas que estão "na moda"? Eu prefiro, sinceramente, ir a um show de Hard/Blues: lá, praticamente todos os presentes conhecem o tipo de música e vão para aproveitar o show, e não dar porrada ou roubar câmeras digitais. Façamos uma comparação percentual entre o número de furtos num show do Dibob e o número de furtos no show do Whitesnake (nesse caso, tende a zero). Façamos também a porcentagem de fãs de uma banda de Rock N' Roll no show da mesma (90%?), e a porcentagem de fãs no show do Capital Inicial: 20% são fãs, 20% viram na TV e acharam interessante, 10% vão roubar coisas dos outros e os outros 50% vão dar porrada, pegar mulher e encher a cara.

4 – É fútil a mulher gostar de homem de cabelos compridos? Certamente é fútil gostar de um homem SÓ porque ele tem cabelo comprido. No mais, não é menos fútil do que gostar de homem sarado, ou bronzeado, ou de olho azul. Porém, com certeza é menos fútil gostar de cabelo comprido do que procurar na balada o cara com o cordão de prata mais grosso...

5 – Esses caras que usam maquiagem e roupas "diferentes" são gays? Um ou outro pode até ser, assim como os que usam regata branca e malham o dia todo, mas a maioria "pega" mais mulher que qualquer playboy. Você pode não apoiar tal filosofia (comum à juventude em geral, basta ir a uma micareta para ver), mas se o problema é o cara ser gay, disso não pode chamar. E se é ser mau-caráter, já foi dito aqui que aparência não define ninguém. Basta olhar com maus olhos que se conclui o que quiser: você pode achar o cara gay porque viu foto dele com maquiagem, mas tem que ignorar o fato de ele ter foto com mulheres bonitas, ou ter uma namorada.

6 – Essa gente é tudo um monte de vagabundo perdido na vida? Bom, nessa hora sou obrigada a deixar a modéstia totalmente de lado, perdoem-me: nunca tirei nota abaixo de 7 na vida, já tive a maior média global do colégio e tenho bolsa integral por isso, bebo álcool. E aí? Mais fácil escolher o rockeiro mais ferrado na vida e generalizá-lo, não? Afinal, os péssimos alunos de faculdade/colégio, daqueles que só tiram nota 2 para baixo, são todos underground?

7 – Os homens são todos galinhas e as mulheres vagabundas nesse meio? Vá a uma micareta e veja como a única diferença é o tipo de aparência visada. Ser galinha ou não depende de cada um, em QUALQUER meio, não há meio mais propício.


Duvido que alguém tenha lido até aqui.

Créditos pro Pedrinho, e pro Red com seu cabelo loiro altamente escroto. (Y)

"Whatever happened to Sex, Drugs and Rock N' Roll?
Now we just have AIDS, crack and techno"

4 comentários:

.Laci disse...

e ainda fala que não sabe fazer posts decentes,tomanoku que não sabe.

Luana Portela disse...

e ainda fala que não sabe fazer posts decentes,tomanoku que não sabe. [2]

Eu lii até o finaaal ÊÊÊEê^WWWW
e não pulei nenhuma parte, nem uma vírgula.
Mereço um chiclete.


Esse texto é bem generalizado no que você anda passando nesses últimos, 1,2,3,meio...TRÊS ANOS E MEIO.Na escola ou em qualquer lugar que você frequente, não estou deduzindo isso, você já me falou isso, não exatamente como estou dizendo, mas puraí.;

ENTÃO TAH ENTÃO.

Anônimo disse...

eu li tudo, ouço dibob
e adoooro cabeludos. SÓ pq sao cabeludos.

Anônimo disse...

lii tudo, e concordo plenamente.. estilo de vida, não julga caráter..