segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Uma flor que se chama "saudade"

De vovó para "São estórias que a vida contou fazendo sua própria história."

Ontem. Domingo, dia de macarrão na casa de avó. Devia ser lá pelas 4 horas, não me lembro bem. Tinha ficado mais tempo que de costume. Não sentia afobação... Nem ansiedade àquela cena de fadiga pós-almoço: eu, vovó, minha mãe e uma tia, sentadas à mesa (grande e antiga, acompanhara vovó há alguns anos, era de outra cidade), um bule com café e algumas xícaras. O assunto era a família. "Como anda desunida". Assunto desgastante, do qual eu não participava, limitava-me a seguir com os dedos as curvas de uma das xícaras. Vovó levantou-se. Imaginei eu que iria trazer alguns biscoitos para o lanche. Trouxe consigo um livro. Era velho, amarelado, nem pelo título me interessei. Abriu-o determinada a uma página. Um papel com aspecto débil se destacou, não fazia parte do livro, e era justamente esse papel que vovó desejava. Primeiro disse que era pra mim. Levantei os olhos. Um presente? O que queria eu com um papel? Antes que eu pudesse dizer um "obrigado" forçado e desgostoso, vovó leu em voz alta: "São estórias que a vida contou fazendo sua própria história". Pensei em dizer outro "obrigado" desgostoso, porque não cabia à situação um "como assim?". Entregou-me o papel dobrado dando ênfase à apenas uma parte, com um desenho.


A casa.


"Cabe à você descobrir se no quintal há laranjeiras ou jabuticabeiras", ela disse. Eu desejava uma casinha para um possível totó na frente, mas apenas desejei, e em silêncio. Mas que diabos era aquele tipo de presente? Filosofia desenhada com caneta esferográfica em papel-toalha? E por último, desdobrou o papel revelando o segundo desenho. O segundo era uma flor. A esse vovó não arriscou nenhum tipo de explicação, mas dera um nome.


Saudade


A semente do afeto precisa ser plantada. Regada pela distância e correria, se torna a falta, e depois de algum tempo, esquecida, desabrocha a saudade.

E nesse domingo, mesmo tendo passado 5 horas ao lado de vovó, A Saudade me obrigou a abraçá-la.

5 comentários:

Megan disse...

Everybody says: enfim um post decente.

Luana Portela disse...

LOL.
Muito bom!
ESCRITORA!!! ui ui ui

Anônimo disse...

que bunitim, até chorei lendo x)
mas é fofiinho.

Thiago Amâncio disse...

E depois me faz ficar quebrando a cabeça pra pensar numa letra da sua música, porque você não sabe escrever. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh vai!
E parabéns.
"enfim um post decente." huauhahuaa

.Laci disse...

certeza que vc copio isso de algum lugar, pilantra